Imaculado Coração

Origem e desenvolvimento

História da devoção ao Imaculado Coração de Maria

A devoção ao Coração de Maria não nasceu de um instante: brotou lentamente da Escritura, amadureceu nos Padres da Igreja, ganhou forma teológica no século XVII e foi confirmada pelo Magistério no século XX.

O ponto de partida é bíblico. São Lucas registra duas vezes que Maria guardava e meditava no coração os acontecimentos da vida de seu Filho. Essa nota discreta do Evangelho é a raiz de tudo o que a Igreja veio a dizer depois sobre o Coração de Maria.

  1. Séculos II–V

    Os Padres da Igreja

    Santo Justino e Santo Irineu apresentam Maria como a nova Eva, cuja obediência desata o nó da desobediência. Santo Agostinho e Santo Ambrósio sublinham a fé interior de Maria, que concebeu na mente antes de conceber no corpo.

    Fonte: Santo Irineu de Lião — Adversus Haereses (Contra as Heresias) — Livro III, 22, 4 — Sources Chrétiennes — c. 180
    TradiçãoPadres e Doutores
  2. Séculos XI–XV

    Espiritualidade medieval

    A meditação sobre a compaixão de Maria junto à Cruz difunde-se em mosteiros e ordens religiosas. Nasce a linguagem do coração ferido da Mãe, associada à profecia de Simeão.

  3. Século XVII

    São João Eudes

    São João Eudes organiza teologicamente a devoção aos Corações de Jesus e de Maria, compõe ofícios litúrgicos e escreve O Coração Admirável da Santíssima Mãe de Deus.

    Fonte: São João Eudes — O Coração Admirável da Santíssima Mãe de Deus (Le Cœur Admirable de la Très Sacrée Mère de Dieu) — Livro I — 1681
    EspiritualidadePadres e Doutores
  4. 1917

    Fátima

    Nas aparições de Cova da Iria, o Imaculado Coração aparece ligado à conversão, à oração e à reparação. O reconhecimento eclesial viria em 1930, pelo Bispo de Leiria.

    Fonte: D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria — Carta pastoral A Divina Providência — reconhecimento das aparições de Fátima — 13 de outubro de 1930 — 1930
    MagistérioMagistério
  5. 1942–1944

    Pio XII

    Em plena guerra, Pio XII consagra o mundo ao Imaculado Coração de Maria e, em seguida, estende à Igreja universal a festa litúrgica do Imaculado Coração.

    Fonte: Papa Pio XII — Radiomensagem ao povo português (consagração ao Imaculado Coração de Maria) — 31 de outubro de 1942 — 1942
    MagistérioMagistério
  6. 1964–2022

    Do Concílio aos nossos dias

    Lumen Gentium situa Maria dentro do mistério de Cristo e da Igreja; Paulo VI e João Paulo II purificam e orientam o culto mariano; atos de consagração são renovados em 1984 e em 2022.

    Fonte: Concílio Vaticano II — Constituição dogmática Lumen Gentium — cap. VIII, nn. 52–69 — Documentos do Vaticano II — 1964vatican.va
    DoutrinaMagistério