Raízes bíblicas e patrísticas
O Coração ferido de Cristo foi contemplado desde os primeiros séculos como o manancial da graça: «Um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água» (Jo 19,34). Os Padres — Santo Agostinho, São João Crisóstomo — viram nessa ferida o nascimento sacramental da Igreja.
Na Idade Média, místicos como Santo Bernardo, Santa Gertrudes e Santa Matilde aprofundaram a devoção ao Coração de Jesus como refúgio de amor. São João Eudes preparou o solo litúrgico no século XVII.
Paray-le-Monial
No pequeno mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial, entre 1673 e 1675, o próprio Senhor manifestou Seu Coração a uma humilde religiosa: Santa Margarida Maria Alacoque. Foi Ele quem pediu a instituição da Festa do Sagrado Coração, a Comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras e a Hora Santa.
«Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor.»
Um jesuíta providencial
A missão de discernir e propagar a devoção coube a São Cláudio de La Colombière, jesuíta, confessor da comunidade. Sua palavra prudente sustentou Santa Margarida Maria e abriu caminho para que a devoção se expandisse pela Companhia de Jesus e, depois, por toda a Igreja.
Reconhecimento da Igreja
A festa foi estendida à Igreja universal por Pio IX (1856). Leão XIII consagrou toda a humanidade ao Sagrado Coração (1899). Pio XI, com a encíclica Miserentissimus Redemptor (1928), fixou a doutrina da reparação. Pio XII, na Haurietis Aquas (1956), ofereceu a síntese teológica definitiva.
